Pessoalmente, considero que o famoso cartão de visitas não é mais tão importante quanto foi um dia. De outro lado, a construção de uma oportunidade para repassar seu cartão de visitas - essa sim - sempre terá o seu valor. Então vamos separar aqui o que é o cartão (suporte) e o que é a mensagem (marketing direto).

O fato é que o cartão de visitas hoje é apenas um dos suportes da sua mensagem de marketing direto, ou seja, da divulgação do trabalho que você mesmo faz, independente de qualquer anúncio.

Além disso, é preciso encarar a entrega do cartão como a conclusão de uma etapa do seu trabalho, e não como um início aleatório. Você certamente não planeja distribuir cartões no semáforo, onde as pessoas não sabem nada sobre você nem você sobre elas.

Geralmente as pessoas trocam cartões em reuniões ou em eventos, de modo que já imaginam ao menos que estão compartilhando um campo de interesse. Isso quer dizer que existe um processo em andamento, algumas vezes um processo bastante complexo, com uma etiqueta muito refinada.

O maior exemplo disso é o ritual da troca de cartões no Japão. Não cabe aqui desenvolver uma manual sobre troca de cartões, mas simplesmente se lembrar que a troca de cartões está dentro de um contexto cultural. E a máxima da cultura dos advogados, na minha visão, é negar que estejam se empenhando em atividades de marketing.

Bem, se para alguns tudo deve parecer etiqueta e tradição, eu penso diferente e acho que é possível se beneficiar refletindo sobre o que realmente circunda essa magia de entrega de cartões. Tudo isso serve para reconhecer a importância dos cartões, ao mesmo tempo em que é igualmente importante reconhecer que os cartões não são mais a única forma de veicular sua mensagem profissional.

Dito isso, como ocorreu essa evolução?

No início da internet, um profissional liberal moderninho teria um site  - que nada mais era do que a versão digital do cartão. O site continha as instruções de como aquela pessoa poderia ser encontrada no mundo real e essa separação era bastante demarcada.

Com a evolução das redes sociais, passaram a existir perfis  com todo o currículo do profissonal. O melhor exemplo disso é o Linkedin. Mas, se olharmos com atenção, veremos que existem várias funcionalidades nesse tipo de site, de modo que não podemos nem dizer que se trate mais de um endereço para o seu currículo digital. Esses sites não são mais estáticos e hoje incluem diveras possibilidades de interação: uma recomendação, a certificação de uma habilidade, a construção de uma página da sua empresa ou do seu escritório, etc.

Hoje as redes sociais como um todo causam interações pequenas e frequentes. Na verdade, são construídas para gerar um comportamento dessa natureza. Isso criou uma espécie de abismo entre as mínimas interações (um like, por exemplo) e aquelas estruturas digitais perenes, como é o caso do site de um escritório de advocacia. Em outras palavras: o like de um seguidor não o levará ao site seu escritório (primeiro substituto do cartão de visitas), muito menos o fará assinar sua newsletter.

Aí entra a landing page, que é uma página promocional muito simples. Com certeza, ainda que possa não ter estado atento, você visitou diversas landing pages, pois as empresas organizadas utilizam essa estratégia sempre que colocam uma campanha no ar. Funciona assim: a empresa lança uma campanha por email, por anúncio ou por meio de uma rede social qualquer. Se o destinatário clicar no link da campanha, ele não será remetido para a página inicial do site da empresa, e sim para uma landing page.

Aqui um exemplo de divulgação da Unbounce, que é justamente uma empresa que presta serviço de marketing digital. À esquerda está o site (com diversos botões), enquanto à direita está a landing page (com um só botão). Está bem claro que a empresa, na landing page, tem o objetivo de vender uma determinada bicicleta, não qualquer produto.

Site vs. Landing Page

Se você quiser seguir os passos das empresas que entendem de marketing, precisa começar a pensar nas suas campanhas e, por isso, precisa começar a pensar também nas suas landing pages. É claro que,  como advogado, você não deve (nem pode) utilizar técnicas agressiva, ao estilo "Better Call Saul".  

Exemplo de anúncio que você não quer fazer

Mas você pode sim criar ao menos uma landing page para orientar o tráfego de potenciais clientes, de modo que possam conhecer melhor o trabalho do seu escritório.

Hoje o único serviço que conheço com essa abordagem é o Linkedir, pois o que essa empresa se propõe a fazer nada mais é do que criar landing pages para escritórios de advocacia. É certo que existem outras funções em torno da landing page, mas realmente a essência do Linkedir é levar o potencial cliente do escritório à uma landing page para que - a partir dela - possa chegar à informação que realmente buscava, estando um passo mais próximo da contratação.